A vitória da Unidos do Viradouro no Carnaval do Rio de Janeiro 2026 não consagra apenas um desfile memorável, consolida um movimento que reposiciona definitivamente a Marquês de Sapucaí no mapa estratégico do luxo internacional. A presença da italiana Dolce & Gabbana assinando a fantasia da rainha Juliana Paes marca a primeira colaboração direta da maison com uma escola de samba brasileira, e o fato de essa estreia ocorrer justamente em um desfile campeão amplifica exponencialmente seu valor simbólico.
A junção entre uma das grifes mais emblemáticas do luxo europeu e uma escola tradicional de Niterói ultrapassa o campo estético. Trata-se de uma convergência entre alta-costura, herança cultural e espetáculo popular que transforma o Carnaval em ativo reputacional.
Para a estrategista de marcas com atuação internacional e especialista no mercado de luxo, Tamara Lorenzoni, o que se viu na avenida foi mais do que figurino: foi posicionamento. “Quando uma maison italiana decide estrear no Carnaval brasileiro justamente ao lado de uma escola que se consagra campeã, não estamos falando apenas de visibilidade. Estamos falando de associação estratégica a capital cultural legítimo. O luxo reconhece onde há potência simbólica”, analisa.
Segundo Tamara, o Brasil vive um momento de inflexão no mercado global: deixa de ser apenas inspiração estética e passa a operar como plataforma cultural relevante. “O Carnaval sempre foi espetáculo. O que muda agora é o olhar do luxo internacional, que entende a Sapucaí como território de narrativa, emoção e construção de desejo”.
A criação da fantasia foi conduzida pelo personal stylist Yan Acioli, parceiro da marca, em um trabalho colaborativo com a escola. Ele resume o impacto do momento: “Eu tinha certeza que a gente estava fazendo história na Sapucaí”, declara em entrevista recente. A fala sintetiza a dimensão simbólica da apresentação, um encontro entre realeza estética e devoção carnavalesca.
Para Tamara, o desfile campeão reforça um ponto central: o luxo contemporâneo não busca apenas exclusividade material, mas conexão cultural autêntica. “A Dolce & Gabbana carrega um imaginário de nobreza, tradição e teatralidade. O Carnaval brasileiro carrega emoção, pertencimento e potência coletiva. Quando esses universos se encontram com coerência, cria-se algo maior do que moda – cria-se narrativa global”.
A consagração da Viradouro chancela essa união como marco histórico. Ao transformar a avenida em passarela simbólica de uma maison internacional, o Carnaval de 2026 envia um sinal claro ao mercado: o Brasil não é mais apenas referência criativa, é palco estratégico onde o luxo busca relevância, emoção e permanência.
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